Durante décadas, envelhecer parecia exigir uma escolha desconfortável: aceitar passivamente as marcas do tempo ou recorrer a transformações capazes de apagar, junto com as rugas, parte da própria identidade. Hoje, essa lógica começa a mudar. Quem procura tratamentos faciais já não deseja necessariamente parecer mais jovem. Deseja parecer menos cansado, menos triste e, sobretudo, mais parecido com a imagem que conserva de si.

Os números confirmam a mudança. Em 2024, foram realizados quase 38 milhões de procedimentos estéticos no mundo. As intervenções na face e na cabeça ultrapassaram 7,4 milhões, com destaque para a cirurgia das pálpebras. O Brasil permanece no centro desse fenômeno, liderando o número mundial de cirurgias estéticas. ISAPS�
Por trás das estatísticas existem comportamentos, expectativas e medos. Há quem se incomode ao ouvir repetidamente: “Você está cansada?” Há quem evite fotografias por perceber os lábios mais finos, o olhar pesado ou o contorno do rosto menos definido. E há o receio oposto: ficar artificial, perder a expressão ou carregar no rosto um procedimento facilmente reconhecível.
Por isso, cresce a procura por resultados naturais e planejamentos individualizados. O interesse deixou de se concentrar apenas em toxina botulínica e preenchimentos. Blefaroplastia, lifting facial, tratamento da papada, reposicionamento de sobrancelhas e procedimentos para o pescoço passaram a fazer parte de uma conversa mais ampla sobre longevidade, identidade e autoestima.
É nesse cenário que se insere a trajetória de Alzira Marçal. Cirurgiã-dentista, empresária e conselheira do CRO-DF, ela construiu sua carreira entre a odontologia, a gestão e a busca constante por desenvolvimento. Aos 51 anos, decidiu iniciar uma nova formação: uma pós-graduação de 3.000 horas em Cirurgia Plástica da Face. Durante os próximos três anos, Alzira faz questão de se apresentar corretamente como pós-graduanda — e não como especialista.
Sua escolha também revela algo sobre a mulher contemporânea. Alzira não observa o envelhecimento apenas dos livros ou da clínica; ela o experimenta na própria pele. Compreende o incômodo diante do espelho, mas também o perigo de perseguir um rosto que nunca existiu.
“A proposta não deve ser transformar a pessoa em outra, mas ajudá-la a reconhecer novamente quem sempre foi”, defende.
Talvez essa seja a mudança mais significativa: o rejuvenescimento deixa de ser uma guerra contra o tempo e passa a ser uma negociação mais consciente com ele. Afinal, o rosto não guarda somente idade. Guarda perdas, conquistas, escolhas e identidade. Cuidar dele pode ser vaidade — mas também pode ser uma forma legítima de continuar habitando a própria história.


